domingo, 20 de março de 2011

A revolução dos transportes

Como sabem,  o comboio e o barco a vapor surgem num contexto específico da revolução industrial. A principal finalidade: transportar pessoas e bens. O comércio intensifica-se. Com a introdução dos comboios toda a cartografia foi alterada e novos aglomerados, quer industriais como populacionais, foram concentrados nestes espaços. Em Portugal, a rede de Caminhos-de-ferro foi mais tardia, evidentemente influenciada pelo desenvolvimento industrial dos meados do século XIX. A moda, a mentalidade, as notícias chegavam agora mais rapidamente a todas as terras por onde passava esta máquina.

Liberalismo económico


As teses do liberalismo Económico foram criadas no século XVI com clara intenção de combater o mercantilismo, cujas práticas já não atendiam às novas necessidades do capitalismo. O pressuposto básico da teoria liberal é a emancipação da economia de qualquer dogma externo a ela mesma.
Os economistas do final do século XVIII, eram contrários a intervenção do Estado na economia. Para eles o Estado deveria apenas dar condições para que o mercado seguisse de forma natural seu curso.
Um dos principais pensadores da época foi François Quesnay, que apesar de médico na corte de Luis XV teve contacto com as ideologias económicas. Em sua teoria afirmava que a verdadeira actividade produtiva estava inserida na agricultura.
Para Vincent de Gournay as actividades comerciais e industriais deveriam usufruir de liberdade para o melhor prosseguimento em seus processos produtivos, para alcançar assim uma acumulação de capitais.
O criador da teoria mais aceita na economia moderna, nesse sentido, foi sem dúvida Adam Smith, economista Escocês, que desenvolveu a teoria do liberalismo, apontando como as nações iriam prosperar. Nela ele confrontou as ideias de Quesnay e Gournay, afirmando que a desejada prosperidade económica e a acumulação de riquezas não são concebidas pela actividade rural e nem comercial. Para Smith o elemento de geração de riqueza está no potencial de trabalho, trabalho livre sem ter, logicamente, o estado como regulador e interventor.

Sociedade e mentalidade burguesa


Os processos que designamos de “Revolução Industrial” foram um dos momentos mais marcantes da História da Humanidade, caracterizado por tempos de inovação, exaltação, de novas experiências, de progresso a todos os níveis.

A Revolução Industrial surge como um conjunto de transformações técnicas e económicas que se iniciaram na segunda metade do século XVIII na Inglaterra e que se alargaram a todos os países da Europa e da América do Norte no decorrer do século XIX.

Considera-se, geralmente, que foi a invenção da máquina a vapor e a sua subsequente aplicação aos transportes e à indústria que provocou a rápida mudança nos modos de produção, passando-se da manufactura para a maquino factura.

A Revolução Industrial significa assim o conjunto de modificações estruturais profundas que se estabeleceram na economia, na sociedade e na mentalidade do mundo ocidental, e que se saldaram:

- no fortalecimento da economia capitalista, amparada na grande indústria, no grande comércio e no poder dos Bancos;

- na implantação da Sociedade de Classes, assente na dicotomia Burguesia-Proletariado e na mentalidade burguesa.
Segundo W. Rostow, uma Revolução Industrial cresce segundo fases determinadas: na 1ª fase, a economia procura crescer (crescimento), sendo essa a sua função normal, e nesse sentido necessidade de se diversificar (diversificação/maturidade); na 2ª fase, como resultado do progresso económico e do mercado, procura-se aumentar o poder de compra da massa humana, para, dessa forma, esta consumir o que se produz, desde o essencial ao supérfluo (consumo em massa); e na 3ª fase, uma evolução para novas etapas da industrialização.

Operariado


O êxodo rural provocou um excesso de mão -de-obra nas cidades, o que fez baixar os salários e levou a que muitos operários aceitassem trabalhar, em más condições, e durante 15 o mais horas por dia.
O proletariado trabalhava em fábricas com más condições de higiene e segurança e vivia em casa insalubres, húmidas e mal iluminadas. Foi neste ambiente que nasceu e se desenvolveu o movimento operário e sindical e se desenvolveu as ideias do socialismo.
Em 1836, desencadeou-se uma crise industrial e comercial que lançou à rua milhares de operários. Organizou-se então a Associação dos Operários para a luta pelo Sufrágio Universal. Sufrágio foi o fim do voto censitário para todos os homens, (mulheres ainda não podiam votar). No ano seguinte essa associação elaborou uma extensa petição (Carta do Povo) para ser enviada ao Parlamento; surgiu o movimento denominado cartismo. Reivindicava-se o Sufrágio Universal, a igualdade dos distritos eleitorais, a supressão do censo exigido dos candidatos do Parlamento (que limitava essa possibilidade somente á burguesia rica e à nobreza), voto secreto, eleições anuais e salário para os membros do Parlamento (antes, somente os ricos possuíam condições de exercer a atividade política sem receber).

Sindicalismo


França, muito mais do que outros países industrializados, conhece mais movimentos sociais decorrentes de contestações das reformas. Isso acontece por causa das origens do sindicalismo, bem como de suas particularidades e de suas evoluções. Comprovando a indiferença, desinteresse e ausência de engajamento dos assalariados, o país é visto como sub-sindicalizado e, até mesmo, "a-sindicalizado", tendo um dos mais fracos sindicalismo do mundo com uma taxa de sindicalização, com relação à população ativa assalariada, de apenas 8% em 2002.
Há sete especificidades ligadas à história e à organização do movimento sindical que contribuíram consideravelmente para a actual situação:
        A recusa do mutualismo - o movimento operário foi construído na clandestinidade e nas lutas sociais, tendo a característica de revolucionário por influência do socialismo e do anarquismo. Pela lei Waldeck-Rousseau de 21 de março de 1884, a República outorgou aos sindicatos o direito de constituir-se livremente sem autorização do governo. Sendo, então, enquadrados em um sistema de serviços, são convidados a desenvolver bibliotecas, agências de empregos e cooperativas. No final do século XIX, o sindicalismo passou a preferir a luta das classes adotando o capitalismo como inimigo comum à classe operária (Marx); não sem razão, pois em 1893 a implantação de sindicatos é definida como uma "mancha vermelha". Entretanto, a recusa ao sindicalismo de serviços explica a desafeição original dos assalariados.
       Opção revolucionária - a CGT*, criada em 1895, é revolucionária, anticapitalista, antimilitarista, anticlerical e prega a ação direta para o desaparecimento do proletariado e do patrão. Nasce, em 1919, a CFTC*, com base na encíclica papal Rerum novarum, hostil à luta de classes e com o objectivo de remodelar a sociedade pela aplicação dos princípios de justiça e de caridade cristã. Visando uma revolução, sem nunca chegar a ela, a CGT adopta por arma a greve geral preconizada pelos anarco-sindicalistas, lutando pela suspensão universal da força produtiva em todas as profissões.
        Divisões políticas - a Carta de Amiens, texto fundador da independência do sindicalismo, adotada pela CGT em 1906, proibia a cada sindicato a introdução de idéias professadas exteriormente e definia um sindicato auto-suficiente para mudar a sociedade. Porém, cada sindicato foi fundado com base em uma recusa política, sendo modelado, desta forma, por divisões políticas que enfraquecem a apreciação sindical.
         A "grevecultura" antes da negociação - o sindicalismo tem necessidade da cultura da greve, profundamente enraizada, para tentar impor uma relação de negociação entre proletário e patrão. Obtendo vitória, ao contrário de vários países europeus, o benefício é para todos e não somente para membros de determinados sindicatos, apesar disso, muitos consideram os parcos resultados positivos e o constante desprezo de patrões para com empregados.
        Queda do domínio do setor público - com o passar do tempo, o setor privado ganhou terreno nos sindicatos diminuindo a atuação do setor público, desencadeando, assim, a redução da defesa operária.